𝑪𝒂𝒑í𝒕𝒖𝒍𝒐 01
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𝑉𝑂𝑋 𝑇𝐸𝑅𝑅𝐴𝐸 — 𝑂𝑆 𝑃𝑅𝐼𝑀Ó𝑅𝐷𝐼𝑂𝑆
Vox Terrae e as Gemas Primordiais
Vox era um universo como tantos outros. Dentro dele, existia um planeta que carregava o nome de Vox Terrae. Naquele planeta, uma governadora que também era conhecida como rainha, chamada Elisa, governava com uma ambição desmedida. Gananciosa e megalomaníaca, ela desejava expandir seu poder e explorar os recursos de outros universos sem precisar consumir ou destruir os recursos do próprio. Para isso, ordenou que os cientistas mais inteligentes de seu reino desenvolvessem uma máquina capaz de convergir outros universos para dentro de Vox Terrae. Após inúmeros experimentos, os cientistas alcançaram um resultado extraordinário: uma máquina capaz de condensar um universo inteiro em uma pequena gema. O processo destruía tudo o que existia no universo convergido, concentrando sua massa em um único objeto. Por alguma razão, apesar de conter a massa de um universo inteiro, a gema resultante era surpreendentemente leve. Acreditava-se que algum tipo de interferência gravitacional, provocada pela concentração de energia universal, pudesse explicar o fenômeno. Elisa ficou maravilhada com a descoberta e batizou aquelas relíquias de Gemas Primordiais. Entretanto, sua ambição não conhecia limites. Uma gema não era suficiente. Duas também não. Nem mesmo três seriam capazes de satisfazer seus desejos. Elisa queria mais.
A queda de Elisa e a ascensão de Azazel
Certo dia, Elisa ordenou a convergência de um universo chamado Infernaris, lar de um demônio conhecido como Azazel. A máquina, contudo, possuía uma limitação: era incapaz de capturar as almas dos seres vivos durante o processo. As almas eram transferidas para Vox Terrae e colocadas em novos corpos, enquanto seus corpos originais e tudo o que existia em seus universos de origem eram destruídos. Algumas pessoas morriam durante o processo, mas aquelas consideradas mais valiosas conseguiam ser preservadas e integradas ao universo de Elisa. O problema era que Azazel não era apenas um habitante comum de Infernaris. Quando Elisa convergiu aquele universo, o demônio veio junto. Azazel destruiu o reino de Elisa, provocando sua queda e tomando para si o domínio de Vox Terrae. Durante muito tempo, governou aquele mundo sob seu poder, enquanto os sobreviventes e os indivíduos convergidos tentavam encontrar uma maneira de sobreviver à nova realidade. Entretanto, nem mesmo o domínio de um demônio seria eterno. Com o passar do tempo, os habitantes de Vox Terrae decidiram que já era hora de dar um basta àquela situação.
O nascimento das civilizações
Apesar do caos que marcou sua origem, os habitantes de Vox Terrae aprenderam a se adaptar. Aos poucos, deixaram para trás uma existência primitiva e avançaram rapidamente para uma era de civilizações, marcada pelo desenvolvimento do conhecimento, da organização social e da capacidade humana de transformar o ambiente ao seu redor. Inspirados por aquilo que se poderia chamar de uma revolução cognitiva, semelhante à descrita no livro Sapiens, de Yuval Noah Harari, os habitantes começaram a construir sociedades, estabelecer governos e fundar organizações. Entre os assentamentos e as instituições mais importantes daquele período, destacavam-se: Lcorp: uma corporação formada por indivíduos que acreditavam que a humanidade poderia continuar evoluindo dentro de Vox Terrae. Para seus integrantes, aquele universo não deveria ser apenas um refúgio para sobreviventes, mas também uma oportunidade de construir um futuro melhor. Farásia: uma República Popular Socialista que se tornaria uma das forças mais relevantes da história de Vox Terrae, especialmente durante a guerra que marcaria o fim daquele universo. A Coalizão: uma organização que tinha como objetivo reunir e deter todas as Gemas Primordiais, utilizando seus poderes para alcançar seus próprios interesses. Paela e Voxália: comunidades formadas por pessoas que simplesmente desejavam estabelecer raízes, construir suas próprias vidas e viver como seres humanos comuns, longe das grandes disputas pelo poder. Além dessas organizações, diversos outros assentamentos e cidades surgiram ao longo dos anos. Cada um possuía suas próprias características, objetivos e habitantes. Entretanto, quase tudo o que foi construído naquele mundo acabaria destruído quando Vox Terrae chegasse ao seu fim.
A Guerra Final de Vox Terrae
O conflito que selaria o destino daquele universo ficou conhecido como a Guerra Final de Vox Terrae. De um lado estava Cassiel, uma figura que se tornaria uma das maiores ameaças já enfrentadas pelas civilizações daquele mundo. Do outro, a República Popular de Farásia, que assumiria um papel decisivo na luta contra ele. Cassiel havia sido infectado por uma doença conhecida como Skulk. Na realidade, a Skulk não era uma doença comum, mas uma espécie de parasita capaz de infectar seus hospedeiros e transformá-los profundamente. Em Cassiel, a infecção concedeu poderes extraordinários, mas também provocou uma transformação gradual e irreversível. Com o avanço da infecção, Cassiel tornou-se uma criatura grotesca e extremamente alta, dotada de poderes assustadores e de uma visão severamente limitada. Sua aparência e seu comportamento já não correspondiam aos de um ser humano comum. A criatura que um dia fora Cassiel estava se tornando algo completamente diferente. A República Popular de Farásia, entretanto, conseguiu derrotá-lo. Como consequência da vitória, Cassiel foi banido para um universo semelhante ao inferno. Azazel, que também havia sido derrotado e afastado do poder, acabou banido para esse mesmo destino.
O erro de Farásia
Mesmo após a vitória na Guerra Final, Farásia continuou seus experimentos com uma máquina construída a partir dos mesmos princípios utilizados por Elisa. O objetivo era, dessa vez, utilizar a convergência de universos e as Gemas Primordiais para promover a evolução de Vox Terrae. Em vez de agir por pura ganância, os farásianos acreditavam que o poder obtido poderia ser empregado em benefício da civilização. Entretanto, um erro aparentemente insignificante mudaria tudo. Durante um dos experimentos, as coordenadas inseridas na máquina estavam incorretas. 1.226. V. 2. Aquelas eram as coordenadas de Vox Terrae. Por um erro de apenas um dígito, Farásia convergiu o próprio universo. Em um instante, tudo aquilo que existia em Vox Terrae foi condenado ao mesmo destino imposto anteriormente a tantos outros universos. O mundo deixou de existir, suas estruturas foram destruídas e seus habitantes foram dispersos para além de sua realidade original. O universo de Vox Terrae havia chegado ao fim. Mas seus habitantes não desapareceram completamente. Eles foram convergidos para outro universo: Terrae Nova.
Terrae Nova — um novo começo
Terrae Nova era um universo relativamente comum, sem grandes manifestações de magia e sem os conflitos cósmicos que haviam marcado a história de Vox Terrae. Os habitantes transferidos acabaram espalhados por diferentes regiões do novo universo. Alguns foram parar em cidades de Michigan, nos Estados Unidos. Outros surgiram em São Paulo, no Brasil. Houve aqueles que foram parar na Itália, na China e em inúmeros outros lugares. Muitos conseguiram se adaptar e passaram a viver normalmente, integrando-se às sociedades locais como se sempre tivessem pertencido àquele mundo. Entretanto, nem todos foram parar em cidades conhecidas. Existe um lugar cuja existência permanece desconhecida para a maior parte dos habitantes de Terrae Nova. Uma ilha gigantesca, localizada no centro do Triângulo das Bermudas. Um território tão vasto e extraordinário que parece ter sido retirado diretamente de um romance de Júlio Verne. Um lugar que não aparece nos sistemas de GPS, onde as ondas de rádio não conseguem chegar e sobre o qual aeronaves apresentam comportamentos anormais, tremendo violentamente apenas por sobrevoá-lo. Uma ilha isolada do restante do mundo, escondida por circunstâncias que ninguém compreende completamente. Foi para esse fim de mundo que algumas das pessoas convergidas de Vox Terrae foram enviadas. Ali, começaram a estabelecer uma nova sociedade, construindo suas próprias comunidades e tentando reconstruir aquilo que haviam perdido. Mas a ilha não recebeu apenas os sobreviventes de Vox Terrae. Ao longo do tempo, outras pessoas também chegaram ao local. Algumas foram parar ali após acidentes aéreos; outras, depois de naufrágios nas águas do Triângulo das Bermudas. Por razões ainda desconhecidas, aquele território parecia atrair pessoas e acontecimentos que não deveriam estar ali. Terrae Nova havia se tornado o novo lar dos sobreviventes de um universo morto.
Os sobreviventes que atravessaram o fim
Apesar da destruição de Vox Terrae, algumas figuras importantes conseguiram chegar a Terrai Nova de maneiras que ainda não são completamente compreendidas. Azazel: o antigo demônio de Infernaris também encontrou seu caminho até Terrae Nova. Sua chegada a esse novo universo permanece envolta em mistério, assim como a maneira pela qual conseguiu escapar de seu destino anterior. Duke: um fragmento da alma de Cassiel permaneceu para trás e acabou chegando a Terrae Nova. Diferentemente de outros fragmentos, Duke preservava lembranças de Cassiel, carregando consigo vestígios de uma existência que já não deveria existir. Mattos da Fonseca: embora tenha morrido, uma parte dele também chegou a Terrae Nova. O que exatamente sobreviveu e de que maneira isso aconteceu ainda são questões em aberto. Thurzuza: responsável por operar a máquina utilizada por Farásia, também acabou chegando a Terrae Nova. Sua presença pode guardar informações importantes sobre o acidente que destruiu Vox Terrae e sobre as verdadeiras capacidades da tecnologia de convergência. Além deles, existem rumores persistentes sobre o destino da própria Farásia. Algumas lendas afirmam que a República Popular não foi completamente destruída, mas permanece presa em algum lugar do universo. Outras sugerem que seus remanescentes podem estar escondidos nas cidades localizadas ao redor da ilha de Terrae Nova. Ninguém sabe ao certo qual dessas histórias é verdadeira. Entretanto, uma coisa é certa: os farásianos estão entre nós.